Hospital diz que alemão ferido no Rio alegou ter sofrido tortura de assaltante

Publicado em: 22 maio 2015 ás 15:20:20

O alemão Markus Müller, morador do apartamento onde houve uma explosão em São Conrado, na Zona Sul do Rio, na segunda-feira (18), disse aos médicos, assim que chegou ao hospital, que foi torturado por um assaltante e que esse criminoso teria feito ameaças de explodir o apartamento. O diretor do Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, para onde o alemão foi levado depois da explosão, disse que ele chegou à unidade agitado e repetindo a mesma história. A informação foi exibida no RJTV desta quinta-feira (21).

“Ele disse que um homem teria entrado no apartamento querendo um relógio Rolex dourado, querendo dinheiro e ficou durante a noite torturando com uma faca, provocando lesões pelos braços e pelo corpo e que depois disso tudo ameaçou que ia explodir tudo”, disse o diretor do Miguel Couto, Luiz Alexandre.

O alemão contou um outro detalhe: “Ele teria dado uma bebida avermelhada para ele antes de dizer que iria explodir tudo. A equipe médica pensa em duas hipóteses: ou realmente a história é verdadeira ou ele teve algum tipo de surto psicótico”, explicou o médico.

O diretor do Hospital Miguel Couto não descarta a possibilidade de ele ter sido esfaqueado. “Eram lesões longitudinais, superficiais e não eram de explosão, lembra muito uma arma branca, faca, compatível com a história que ele conta. Agora se foi provocado por alguém, é muito difícil saber, a polícia está investigando.”

Porteiros depõem
Os dois porteiros que trabalhavam na madrugada da explosão afirmaram em depoimento que o alemão chegou sozinho em casa e não recebeu visitas. A polícia encontrou facas no apartamento e apreendeu o material para ver se elas são compatíveis com os ferimentos. Os investigadores também querem descobrir por que apenas o corpo do alemão pegou fogo na explosão se não há nada queimado no resto do apartamento.

A polícia investiga o motivo de o consumo de gás no apartamento aumentar drasticamente nos seis dias que antecederam a explosão. Do dia 12 ao dia 18 de maio foram consumidos 30 metros cúbicos de gás, quando a média mensal era de seis metros cúbicos. A Ceg informou que esse aumento reforça a tese de que o rabicho do aquecedor foi retirado da parede e que o acidente não foi provocado por falta de manutenção.

O alemão Markus Muller está internado, em estado grave no Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

Chamas em movimento eram vítima, diz perito
Luciano Ferrari, funcionário da obra do metrô, em São Conrado, gravou um vídeo minutos depois da explosão. Nele é possível ver um clarão dentro do apartamento e logo depois um foco de incêndio aparece na varanda do décimo andar e parece se movimentar. A pedido do RJTV, o perito Nelson Massini, coordenador do Laboratório de Ciências Forenses, da Uerj, analisou o vídeo.

“A chama está se movimentando e a única coisa que pegou fogo naquele ambiente foi ele com as vestes que usava. Podemos dizer que foi ele mesmo que saiu e circulou, veio para a varanda, voltou e sentou naquela cadeira depois da explosão”, disse o perito.

Fonte: